Designer gaúcho imagina como seria uma releitura do escudo do Leicester

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[[imagem37007]]O modesto time do Leicester se tornou de forma inédita campeão inglês nesta temporada. A equipe liderada por Vardy provocou as mais variadas manifestações de amor ao futebol, desde torcedores de outros países indo à Inglaterra tentar chegar perto dos ídolos “instantâneos”, passando por ações de marketing de empresas e chegando até projetos de design feitos por ilustradores de todo o mundo. Apresentamos hoje por aqui um projeto criado pelo designer gaúcho Marco Antônio Tessari que imagina como poderia ser uma nova identidade, um novo escudo dos Foxes.

O trabalho de rebrand passa por uma ideia de atualização do então centenário escudo do Leicester e a aplicação desse distintivo em uniformes da Puma, atual fornecedora de uniformes da equipe azul e que aproveitou a “febre” Leicester para fazer algumas ações de marketing, incluindo uma hilária oferta de patrocínio ao mascote do time, que passou a utilizar chuteiras de pelúcia com os designs atualizados dos reais modelos da marca alemã.

O torcedor do Grêmio conta que usou sua paixão pelo futebol, desde os tempos em que seu fanático pai colorado o vestia com uniformes do esporte bretão, e sua admiração pelo Leicester, que “joga como um time e mostra ao mundo a força do objetivo”, para criar esse projeto de rebrand do Leicester. 

Confira abaixo mais do trabalho do artista e a íntegra da entrevista, em que ele conta como chegou aos detalhes do escudo: [[imagem37008]] [[imagem37009]] [[imagem37010]]

Bom, meu nome é Marco Antônio Tessari. Sou formado em publicidade e propaganda e há dez anos sou diretor de criação de um estúdio de branding em Caxias do Sul,RS. Gremista e há 15 anos esperando para comemorar um título nacional! Sou o primogênito gremista de um colorado fanático. Daí você já pode tirar uma temperatura de como o futebol faz parte da minha vida. Quando digo que meu pai é fanático não estou exagerando; Quando o Inter perde ele fica muito mal-humorado (isso acontece também quando o grêmio vence). Porém quando o colorado ganha tudo vira festa! Eu costumo dizer que meu pai pediu minha mãe em casamento em 79' porque o Inter foi campeão brasileiro Ehehehehhe. Daí que eu nasço em 81' e quem é campeão? Os Deuses do futebol são brincalhões mesmo… Passei minha adolescência (anos 90) comemorando e empilhando títulos, enquanto meu pai passou mais de uma década chateado comigo, com o grêmio e com o Inter! Já os anos 2000 eu levei o troco… Ehehehhehehe. E disso sempre saíram lembranças ótimas. Se meu pai não sabia o que me dar de presente de aniversário, por exemplo, ele me agraciava com uma camisa do tricolor. E vice-e-versa. Esse é o sentimento que a rivalidade saudável (como a entre um pai e um filho) que somente um esporte como o futebol traz.

Eu sempre acompanhei os principais campeonatos mundiais e torço para um time em cada um deles. É a minha maneira de manter o interesse e a chama viva. São diferentes estilos de jogo. Cada um com seu charme; Tanto os espanhóis com a supremacia Real-Barça (mas com o Atlético entrando forte desde a chegada do Simeone), quanto à paixão desenfreada e dramática dos Italianos. Porém o campeonato inglês sempre me chamou muito a atenção. Pela criação do futebol moderno, pela tradição de seus escudos mas, principalmente, pela maneira como os jogos se desenrolam. É um jogo dinâmico, extremamente estratégico e rápido. Por razões aleatórias eu era simpatizante dos Spurs, porém a campanha do Leicester me chamou atenção desde as primeiras rodadas esse ano. Aos poucos o time, a maneira como o Claudio Ranieri consegui tirar o melhor dos seus jogadores (até então tidos como apenas “regulares”) e, de todos juntos como um time, acendeu a lembrança do que o, até então desconhecido, Felipão fez com o grêmio 95'-96'. Foi então que eu prestei atenção no escudo do já centenário Leicester. Cativado por todo o clima ao redor daquele time “desconhecido”, por sua impecável campanha no campeonato nacional mais equilibrado do mundo e pelo amor ao futebol eu quis fazer uma modesta (porém sincera) homenagem ao time que trouxe de volta a certeza de que, algumas vezes, a união e a vontade ainda podem triunfar de maneira regular no futebol moderno. O que fiz foi analisar elementos que poderiam ser evoluídos, porém mantendo os principais e tradicionais elementos. A tipografia, a data de fundação (até então não presente no escudo), a rosa dos Tudors (elemento presente no brasão da cidade e carregado de significados) e claro: a raposa. Foi uma releitura baseada num grid simétrico que une todos os elementos. Nunca tive nenhuma pretensão com essa sugestão, fui movido somente pela nova paixão futebolística.

Hoje em dia a gama de qualidade em design é extremamente ampla. Redes sociais direcionadas exclusivamente para esse tema conseguem fazer um apanhado muito diversificado do que estão pensando, cirando e divulgando designers do mundo todo. Eu tenho uma queda especial pela originalidade do street art (aí minha referência é um lugar comum no assunto: Banksy), porém o que me chama muito atenção é o trabalho de designers metódicos como o Mestre Tipógrafo Jake Weidmann. Esses sim mostram que dedicação (e muita!) aliada a talento e paixão são como a campanha dos Foxes esse ano: Sucesso.

O que você acha dos trabalhos de design das marcas esportivas? Olha, quando se trata de design como ferramentas de promoção e venda, acredito que o segmento esportivo está entre os principais, mais inovadores e cativantes do mundo moderno. Trabalhos como as gigantes Nike, Adidas ou ainda Puma são consagrados e sempre atraem os melhores designers para sua criação. Porém algumas marcas até então menores estão mostrando a que veio. E acredito que posso falar da americana Under Armour (patrocinadora do Tottenham inclusive). Em alguns anos saiu de uma desconhecida fabricante de acessórios para futebol americano para invadir diversas modalidades de esporte. Incluindo o nosso amado futebol.

– O que acha das várias reformulações e modernizações nos escudos? Eu acredito que a paixão nos faz fazer coisas que normalmente não faríamos. Como dedicar tempo e talento a um projeto que, a princípio não nos dará nada em troca além da satisfação pessoal e de sentir que está contribuindo para algo maior. Eu realmente gosto do tradicionalismo dos escudos dos times do mundo todo. Ao mesmo tempo vejo a atualização/modernização dos mesmos como algo inerente ao próprio esporte. Haja visto a atual modernização de métodos de treinamento, análise, nutrição, medicina esportiva, estádios, arbitragem entre tantos outros aspectos. Recentemente, na Premiere League, o Manchester City anunciou seu novo escudo, seguido pelo Aston Villa. Esses são exemplos recentes que mostram que essa postura de atualização agrega à identidade do clube, gera repercussão, atrai fãs e renova expectativas.

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