Designer cria camisas do Fluminense feitas pela Dry World

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Algumas horas antes de 2015 terminar, o Fluminense surpreendeu o mundo do futebol ao anunciar que havia trocado a Adidas pela marca canadense Dry World, desconhecida até então para a grande maioria dos amantes do futebol. A pequena empresa criada em 2010 deve revelar os uniformes do Fluminense para 2016 nas próximas semanas.

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Enquanto a torcida das Laranjeiras espera ansiosa pelas novas camisas feitas pela Dry World, o designer Lucas Amarante traz algumas ideias de como poderiam ser esses uniformes. O ilustrador enviou seu trabalho ao Guia do Boleiro e falou um pouco sobre sua profissão e sua vida pessoal (veja íntegra abaixo). [[imagem34552]]

Foram criados quatro tipos de uniformes do Fluminense com assinatura da Dry World: titular, reserva, terceiro e um retrô. Todas as camisas carregam corte e detalhes elegantes e clássicos e respeitam as cores tradicionais do time carioca. Até o uniforme retrô se enquadra no histórico do Flu ao misturar detalhes laranjas (cor bastante utilizada nos últimos kits) com uma cor neutra como o cinza.

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Além disso, os uniformes trazem uma leitura bem clean, limpa; e isso seria um deleite para os torcedores tricolores: roupas sem a presença (colorida ou não) de patrocinadores. Outros detalhes bem bacanas dos quatro kits feitos por Lucas Amarante são os números dispostos na lateral das mangas e o F.F.C. bem discreto na parte de baixo do meião. Em resumo, os uniformes são elegantes, limpos e alinhados com a história do Flu. Os torcedores tricolores iriam gostar muito se a Dry World seguisse algumas características destas ideias.

“O design no futebol brasileiro é algo muito novo, aqui os torcedores prezam pela tradição e manutenção, há algumas dificuldades sejam elas pelas diretorias ou pelos torcedores. Mas acho interessante o PSG atualizar sua marca para ela ser melhor vista por todos… e acho que devemos aprender mais sobre Rebranding com a NFL e NBA, os times estão sempre se renovando na estética dos emblemas e uniformes, há uma liberdade criativa maior”, avaliou o designer Lucas Amarante. [[imagem34555]] [[imagem34553]] [[imagem34556]] [[imagem34554]]

E você, leitor, o que achou do trabalho? Tem o seu para nos mostrar? Envie em nosso contato pelas nossas redes sociais ou escreva para contato@guiadoboleiro.com.br

Entrevista: 

– Meu nome é Lucas Amarante, sou fluminense do Estado do Rio de Janeiro e Fluminense como sócio-torcedor. Acabei de me formar em Design pela ESPM Rio, trabalho atualmente como freelancer, principalmente na parte de Branding.

– Meu sonho profissional é trabalhar na Alemanha, seja pela influência da primeira escola de design, a Bauhaus, que tive o prazer de visitar (hoje é um prédio que pertence ao Patrimônio Histórico da UNESCO) e a inspiração pelo povo alemão em saber se reinventar. Mesmo perdendo 2 guerras mundiais e ter sido um país dividido por 2 ideologias completamente diferentes, atualmente lidera a União Europeia, admite os erros do passado e apoia causas como as dos refugiados, pensamento oposto ao nazismo.
Meu sonho pessoal é conhecer o mundo inteiro, interagir com diferentes povos e culturas, aprender mais sobre histórias que não foram contatas na época da escola.
Eu curto muito a UEFA Champions League e pretendo em breve assistir à final na arquibancada, presencialmente.

– Com a saída da Adidas como fornecedora do Fluminense e com a entrada da DryWorld, precisava propor uniformes já que sou tricolor e designer. Se o projeto chegar até os responsáveis da produção dos uniformes seria muito interessante.
A camisa Home é a tricolor clássica, mas com listras verticais mais largas, diferentes dos modelos dos anos anteriores que possuíam listras mais finais.
A Away, branca padrão mas inovadora. Geralmente os detalhes verde e grená são nas mangas, nas costelas ou listras mais grossas atravessando na diagonal ou vertical ao centro, quis um pouco mais de sutileza, por isso as listras finais na vertical e usando o escudo como centro de apoio.
A Third possui o predomínio do grená, uma cor que poucos clubes utilizam no futebol, talvez o mais próximo ao do Rio seja o Juventus-SP. As terceiras camisas das cores grená tinham poucos ou quase nenhum verde aparente e foram todas marcantes para o torcedor. Há um listra branca fina na mesma posição da listra branca entre o verde e o grená na camisa Away, digamos que essas cores se expandiram para os lados.
A numeração é baseada em alguns ídolos que eu vi jogar: o nº 7 é do Renato Gaúcho ao fazer o gol de barriga; o nº 3 é do Thiago Silva, um dos principais jogadores daquele time de guerreiros começou em 2007 com a conquista da Copa do Brasil; e o nº 9 é do Fred, principal referência do time atualmente, conquistou os Brasileirões de 2010 e 2012 e desde de 2009 dá o sangue e o amor ao clube, não se importando com problemas extra campos nesse meio tempo.

– Acho impressionante os trabalhos manuais do David Smith, responsável pela capa do LP do John Mayer 'Born & Raise'; curto muito a galera do Criatipos, acho os infográficos do Pop Chart Lab incríveis e acho inspirador a paixão do pessoal da Unique & Limited ao resgatar a história usando o design como ferramenta.
A principal influenciadora desse projeto foi a Nerea Palacios (vi que você já falou sobre ela), mas meus principais ídolos do design são Leo Visconti (hoje falecido, mas que foi meu professor na ESPM e também responsável pelo logotipo do Hemorio), Alexandre Stolarski (também falecido, mas ícone do design brasileiro) e a dupla Stefan Sagmeister & Jessica Walsh (pessoas que pensam fora da caixa ou sequer sabem que existe uma caixa).

– O design no futebol brasileiro é algo muito novo, aqui os torcedores prezam pela tradição e manutenção, há algumas dificuldades sejam elas pelas diretorias ou pelos torcedores. Mas acho interessante o PSG atualizar sua marca para ela ser melhor vista por todos; acho que o City Group é corajoso ao ponto de criar franquias, como Manchester City, New York City e Melbourne City, padronizando os escudos; e acho devemos aprender mais sobre Rebranding com a NFL e NBA, os times estão sempre se renovando na estética dos emblemas e uniformes, há uma liberdade criativa maior.

– Sou um cara tranquilo que gosta do que faz e se aprofunda o máximo que pode no projeto em que está trabalhando.
 

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