A trajetória do crescimento econômico no futebol

Quando o atacante Alan Shearer saiu do Southampton para o Blackburn Rovers por 3,2 milhões de libras em 1992, houve muita surpresa. Na Inglaterra nunca tinha se pagado tanto por um jogador. Essa transferência foi muito significativa na época, pois era o primeiro ano da Premier League, a Liga que puxou todos os valores relacionados ao futebol para a estratosfera!
Um ano depois disso nascia em Lagny-sur-Marne na França, Paul Pogba, que em 2016 trocou a Juventus pelo Manchester United por 89 milhões de libras, a maior compra realizada por um clube inglês até então. Logo depois, em 2017, aconteceu a maior compra de um clube na história, quando o PSG pagou por Neymar a bagatela de 222 milhões de euros, mais de um bilhão de reais na cotação de agora, 820 milhões de reais à época.

Shearer, Pogba e Neymar. Brasileiro ainda é o jogador mais caro vendido até hoje – Fonte: Wikimedia.

O efeito “bola de neve” é a razão para tudo isso. Cada vez mais pessoas querem ver o futebol europeu na televisão, aumentando os direitos de imagem consequentemente. Mais e mais pessoas querem apostar também, dar seus palpites nos jogos, aproveitando todos os tipos de bônus de apostas nas casas especializadas que, inclusive, patrocinam os principais clubes da europa.
É impressionante ver esse crescimento, especialmente nos últimos 30 anos, com o avanço da globalização, a profissionalização dos clubes e a formação de Ligas extremamente sólidas, técnica e financeiramente.

O preço dos jogadores

Quando Zinedine Zidane, campeão da Copa do Mundo, da UEFA Champions League, eleito melhor jogador do mundo, trocou a Juventus pelo Real Madrid, o valor pago pelo time espanhol foi de 77,5 milhões de euros (2001). O francês chegou para ser mais um galáctico no time Merengue e logo na sua primeira temporada conquistou a Liga dos Campeões da Europa, com um golaço na final contra o Bayer Leverkusen da Alemanha. Mais certeiro, impossível. Hoje Zidane não pegaria nem o Top 20 das maiores contratações da história, sendo que menos de duas décadas se passaram desde então.
O mais fascinante é que “Zizou” já era consagrado quando foi vendido. Que ele daria certo no Real Madrid era quase uma certeza – mesmo sabendo que nada no futebol é 100% garantido – enquanto vários jogadores que estão à frente dele na lista de transferências não tinham e nunca terão o mesmo status, quanto menos essa certeza de sucesso.

Zidane na final de 2001 contra o Bayer Leverkusen

Lucas Hernandez, também francês, uma posição à frente de Zidane, foi reserva do Bayern de Munique na conquista europeia de 2020. O goleiro Kepa Arrizabalaga, também à frente de Zinedine nessa lista, tinha apenas 23 anos quando saiu do Athletic de Bilbao rumo ao Chelsea, sendo ainda uma promessa para atuar no mais alto nível. Claro que há alguns sucessos. O Liverpool com certeza não se arrependeu dos 84,5 milhões de euros pagos ao o Southampton pelo defensor Virgil Van Dijk, peça fundamental do time campeão inglês, europeu e mundial. O mesmo pode ser dito do Real Madrid pagando 94 milhões por Cristiano Ronaldo para tirá-lo do Manchester United. Aliás o português aparece duas vezes na lista, já que a Juventus pagou 100 milhões de euros para fazer com que ele mudasse de Madrid para Turim. No topo dessa lista temos Neymar, mas quem sabe o argentino Messi não possa superar o brasileiro? Veremos.

Mas de onde vem todo esse dinheiro?

Os clubes de futebol perceberam seu potencial e aos poucos foram tomando maior controle sobre sus marcas e ativos, os jogadores, por exemplo. As Ligas Europeias foram fundamentais, sendo criadas e organizadas pelos próprios times e não por entidades/confederações, como é no Brasil e na América do Sul (Copa Libertadores). Importante frizar: negociando em bloco e unidos os clubes ganharam força. Sempre.
Em 1988, pouco antes da Premier League ser instaurada, os direitos da Liga Inglesa foram vendidos por 44 milhões de libras por quatro anos, considerado um imenso sucesso na época, já que 5 anos antes, em 1983, esses mesmos direitos foram vendidos por 5 milhões por dois anos. Quase 3 décadas depois, em 2015, foi fechado um acordo de transmissão de 5 bilhões de libras com a Sky Sports, válido de 2016 a 2019.
Além de ter negociado muito melhor, o crescimento é justificável: se a Premier League gerava a atenção apenas nas ilhas britânicas em 1992, hoje o mundo inteiro assiste aos jogos, com partidas ao vivo, de todas as rodadas, transmitidas na televisão brasileira, por exemplo.

Vai tudo junto!

Os direitos de televisão são a principal fonte de renda dos clubes, mas não é só isso. Os estádios transformaram-se em grandes “confeitarias” onde todos querem sua fatia de bolo, principalmente no Brasil, onde o profissionalismo dos clubes esbarra nas paixões dos seus dirigentes. O Corinthians assegurou 300 milhões de reais por 20 anos de naming rights, ou seja, somente pelo direito ao nome do estádio, tendo ainda ingressos, camarotes, comida, venda de produtos oficiais e muito mais a ser comercializado. Lembrando que a receita dos ingressos é destinada para pagamento de dívidas.
300 milhões de reais por 20 anos de Naming Rights.

Os estádios ou arenas, como costumam dizer, são uma fonte de renda fundamental, com o exemplo do Palmeiras no Brasil sendo o mais relevante: o clube subiu de patamar com o Allianz Parque, construído no mesmo lugar que o antigo e charmoso Parque Antártica. A renda de bilheteria mais do que dobrou no novo estádio!
O mesmo pode se visto nos patrocínios nos uniformes. A Adidas paga mais de 70 milhões de libras para fornecer os uniformes do Manchester United e o clube procura uma empresa para pagar o mesmo pelo patrocínio na frente das camisas. A Chevrolet paga hoje 64 milhões por ano. A Vodafone, em 2005, pagava 9 milhões de libras por ano. Esses são os valores do futebol mundial. Nada custa menos que poucos milhões.

Fonte: FutBox