Detalhes da milionária campanha de um grupo de agentes de jogadores que quase tomou o poder no Corinthians

Muita gente se surpreendeu com o desempenho eleitoral do candidato Augusto Melo nas eleições do Corinthians, que chegou à segunda colocação, muito próximo de superar o vencedor Duílio ‘do Bingo’ Monteiro Alves.
Principalmente após as revelações, pelo Blog do Paulinho, de que o cartola sobrevive de negociar jogadores de futebol.
É fácil explicar.
A campanha de Augusto, além de ter sido a mais cara da história do Corinthians – superando a de Andres Sanches, em 2007, abastecida com dinheiro de Kia Joorabchian – soube utilizar o dinheiro como poucos.
O esquema tinha por detrás o financiamento de um grupo de agentes de jogadores que objetivava ‘tomar o ponto’ dos que, há anos, sobrevivem do clube para esses fins.
Entre os quais, Chico Pinheiro, político milionário, dono do Hospital Carlos Chagas, em Rondônia, de time de futebol e também, direta e indiretamente, da Federação do Estado.
Com aval destes, Melo distribuiu dinheiro a rodo no Parque São Jorge.
Especula-se que a campanha possa ter utilizado entre R$ 4 e 5 milhões, sendo boa parte apenas no dia do pleito.
O método diferiu de tudo o que havia acontecido em campanhas de recursos relevantes do passado, em que o dinheiro era direcionado, apenas, quando não para publicidade, ao público com ideias semelhantes às do candidato.
Melo gastou por todos os lados.
Segundo soubemos, houve cooptação de grande número de chefes de departamentos do Timão, que recebiam ‘mensalidades’ condicionadas ao direcionamento de votos.
Não à toa, boa parte da votação recebida se deu dentro do esgoto de Sanches, donde Augusto, acostumado ao ambiente, se virou com desenvoltura.
Cartola influente no Parque São Jorge falava, no dia das eleições, a quem quisesse escutar, que Melo, desde os tempos de assessor do CIFAC (departamento de futebol de associados do Corinthians), antes de ingressar na base, embolsava dinheiro dos pais de garotos para ‘garantir’ que jogariam futebol dentro do clube.
“Eu mandei ele embora”, complementou.
Pratica que, ao que parece, teve continuidade em sua vida de agente profissional, conforme demonstraram áudios em que o próprio Augusto confessa, detalhando, inclusive, a divisão de valores, ter tomado R$ 30 mil doutra ‘vítima’, através do intermediário Lima, seu sócio.
Outro gasto relevante da campanha foi na cooptação de jornalistas.
Fala-se em mais de uma dezena.
Era tanto dinheiro que chegou a assustar os correligionários de Andres Sanches, que, inicialmente, fomentaram-no para tomar votos de adversários, mas viram-no, no final, com possibilidades concretas de vitória.
É fato que após as revelações das verdades sobre Augusto, nas últimas semanas de campanha, muitos votos foram perdidos, o que pode ter-lhe custado a vitória.
Ainda assim, muita gente permaneceu.
Descontando os desinformados, que associaram-no, realmente, como candidato ‘contra o sistema’, nele votaram apenas os que receberam vantagens, os que não se importam com imoralidades e os que, como nas eleições de 2018, elegeram um genocida sob a desculpa de ‘tirar o PT’ da presidência.
No Brasil, deu no que deu.
Pós eleição alvinegra, Melo tentará manter seus negócios de jogadores com os atuais dirigentes do Corinthians, que não costumam dispensar boas oportunidades financeiras.
O cartola, porém, apesar da grande votação, estaria inviabilizado para qualquer tentativa futura de Presidência no Parque São Jorge.
Por duas razões: atentos, os donos ‘da boca’ não mais permitirão que o reserva postule a titularidade; do outro lado: que opositor relevante aceitaria ligar-se a quem foi tão explicitamente desmascarado?

 

Fonte: Blog do Paulinho