MLS ainda nem começou, mas já deu uma lição de marketing ao Brasileirão

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A MLS (liga norte-americana de futebol) começa à meia noite desta sexta-feira (horário de Brasília) com o duelo entre LA Galaxy e Chicago Fire, mas antes mesmo do apito inicial já deu uma série de lições à CBF. A mais recente foi a Jersey Week, evento que promove os lançamentos dos novos uniformes de todas as equipes do torneio.

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Realizado pela terceira vez, o evento reuniu 12 times em 2013 e desde 2014 todos os clubes participam. A intenção é gerar grande repercussão em torno das apresentações das camisas e, com isso, esquentar o clima para a competição. Um objetivo atingido com sucesso, com milhares de manifestações nas redes sociais com a hashtag #JerseyWeek.

Conheça as camisas dos vinte times da MLS para a temporada 2015:

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Um fator que facilita a organização do evento é que a própria liga tem um acordo com a Adidas. Com isso, todos os times tem o mesmo patrocinador. No entanto, durante a Jersey Week cada um é responsável pelas próprias ações de marketing, o que permite imaginar que seria totalmente viável realizar algo semelhante antes do início do Brasileirão, mesmo que cada time tenha um fornecedor diferente.

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Para exemplificar a liberdade que os clubes continuam tendo, basta dizer que vários times optaram por lançamentos simples, apenas publicando as imagens de divulgação das novas camisas. Outros, porém, fizeram grandes produções, como o LA Galaxy, que realizou uma sessão de fotos com seus jogadores na praia, e o Houston Dynamo, que alugou um cinema para apresentar o uniforme como se fosse a premiere de um filme.

Grandes craques, novos times e investimento pesado

Mas a atenção especial aos lançamentos de uniformes está longe de ser a única lição da MLS. Este ano, a liga contará com atletas do peso de Kaká, melhor do mundo em 2007, Steven Gerrard e Frank Lampard, ídolos na Inglaterra, e David Villa, maior artilheiro da história da seleção espanhola.

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Kaká e Villa já se enfrentarão no próximo domingo, no aguardado duelo entre os estreantes Orlando City e New York City. Mesmo disputando o torneio pela primeira vez, as duas equipes conseguiram se promover tão bem nos últimos meses que os mais de 60 mil ingressos disponíveis se esgotaram quase uma semana antes do duelo, garantindo lotação máxima do estádio Orlando Citrus Bowl.

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O duelo, inclusive, terá transmissão da ESPN para o Brasil ao vivo no próximo domingo, às 18h (horário de Brasília). O canal fechado passará no total 33 partidas do campeonato. A MLS também conseguiu vender seus direitos para a Sky Sports, que vai transmiti-lo na Inglaterra, e para a Eurosport, no resto da Europa.

Cabeça aberta para inovações e negociações com os atletas

Realizando em 2015 sua 20ª edição, a MLS tem mostrado uma capacidade muito grande de aprender com as outras ligas americanas, NBA (basquete), NFL (futebol americano), MLB (beisebol) e NHL (hóquei.). Um exemplo disso são as ideias do principal dirigente da liga, Dan Graber, que já afirmou ser a favor do replay para ajudar os árbitros e até de microcâmeras colocadas nos uniformes dos jogadores.

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"Se eu fosse o rei, [os jogadores] levariam câmeras GoPro no uniforme. Faria todo o possível para atrair os jovens da forma que eles estão acostumados. Estamos em um grande momento, com nossos novos parceiros de TV, estrelas dos EUA, Canadá e do exterior e com novas equipes em Nova York e Orlando", afirmou.

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Para que tudo isso funcione bem, os dirigentes sabem que os atletas são peças fundamentais e precisam estar felizes. Por isso, enquanto no Brasil os clubes se tornaram inimigos declarados do Bom Senso FC, na MLS uma ameaça de greve resultou em negociações que aumentaram em 65% o salário mínimo da liga.

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Assim, mesmo que estejam longe dos US$ 6,6 milhões anuais de Kaká, que é o jogador mais bem pago, a maioria dos jogadores menos famosos garantiu, ao menos, um pagamento anual de US$ 60 mil, o suficiente para se sentirem respeitados pelos patrões. Outra lição básica que o país do soccer deu de graça ao país do futebol.