Qual a chance de Figo se eleger presidente da FIFA? Infelizmente pouca

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Nesta semana, a FIFA anunciou que quatro candidatos conseguiram se credenciar para concorrer à presidência da entidade, a ser disputada no próximo dia 29 de maio. Cada um teve apoio de pelo menos cinco seleções, enquanto os pré-candidatos Jerome Champagne, o ex-número 3 da FIFA, e David Ginola, ex-jogador francês, não conseguiram esse número mínimo.

Entre os quatro candidatos, apenas o ex-jogador Figo não é do “ambiente” da cartolagem. Pelo menos ainda. De qualquer forma, as chances do melhor jogador de 2001 são mínimas. O suíco Joseh Blatter deve conseguir sua quarta reeleição. Para os amantes do esporte futebol, isso é uma bela furada.

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O atual sistema de votação de mandatário da FIFA prega que as 209 seleções filiadas à entidade têm direito a um voto cada. Na primeira rodada, se algum deles tiver 2/3 dos votos é eleito automaticamente. Caso contrário, dois finalistas lutam pelo maior número de sufrágios. Assim, fica bem difícil de o suíço de 78 anos não conquistar sua terceira reeleição, pois apenas na África, onde ele tem apoio total declarado pelas nações, ele já tem os 53 votos das integrantes. A grande maioria da Concacaf (35 seleções no total) também está com ele, assim como um quadro parecido na América do Sul e Ásia.

Escândalo atrás de escândalo de corrupção arranham bastante a imagem da entidade, mas não têm força para mudar esse quadro. Mesmo a perda de importantes patrocínios de Emirates, Sony, Castrol, Continental e Johnson & Johnson também não balançam muito esse navio suíço. A única coisa que sentencia é a votação. Mesmo seu antecessor, o brasileiro João Havelange era envolvido em escândalo atrás de escândalo.

Ainda está sendo investigado se houve fraude na suspeitíssima votação que escolheu Qatar como sede do Mundial de 2022. Com uma coincidência exagerada e com a dignidade vestida de equilibrista na corda bamba dos piores ventos, Brasil, Rússia e Qatar foram os escolhidos das Copas de 2014, 2018 e 2022. Os três países estão entre os mais corruptos do mundo. Só coincidência?

Figo se candidatou faltando 11 horas para o limite, e o que tudo indica é que o ex-jogador é como se fosse um peão da manobra de xadrez do presidente da Uefa, Michel Platini. O mandatário não admite em público, mas deve fazer seus lobbies para conseguir apoio ao português na Europa.

Na política, os apoios e acordos são naturais e necessários. Mesmo não sendo uma candidatura “pura” de Figo, acho que ele seria um bom presidente, por já ter bastante dinheiro (embora isso, não atrapalhe os extremamente ambiciosos), por já ter vencido quase tudo no esporte, por ter dependido de companheiros em campo, pelos times terem dependido de suas jogadas geniais, por ter amigos jogadores,… e, mais importante, por ter criado uma imagem de ídolo junto aos amantes do futebol.

O fato, amargo, é que para o mal da modadlidade, Blatter deve permanecer, junto com seus escândalos periódicos. O ex-lateral Roberto Carlos disse que “Luís Figo tem as competências e a sensibilidade necessárias para mudar a FIFA", em entrevista à agência Lusa. O deputado e ex-jogador Romário acrescentou que Figo é um nome para “"é um nome com 'chances' de moralizar" o organismo. Ex-atletas, jogadores e amantes clamam pela mudança, mas ela não deve vir agora.