Sabia que a Puma já desistiu de patrocinar um jogador por ele não ser gay? Entenda a história

0

Cada vez mais se especula quais seriam as consequências no mundo do futebol para um jogador que assumisse publicamente ser homossexual. E embora a crença mais normal seja de que isso poderia atrapalhar a carreira de qualquer atleta, também há quem diga que uma revelação do tipo teria lados positivos. É o que mostra esse caso envolvendo Sol Campbell e a Puma – uma história não exatamente nova, mas que pouco repercutiu no Brasil.

Designer cria pôsteres "Gods of football" com ídolos do passado e da atualidade

Para divulgar uma biografia autorizada no jornal britânico The Sunday Times, Campbell, atualmente com 40 anos e aposentado, revelou vários episódios desconhecidos (e muitas vezes polêmicos) de sua carreira. Um deles aconteceu quando ele se encontrou com um representante da Puma para negociar um novo patrocínio de chuteiras.

Segundo o ex-jogador, depois de alguns minutos de conversa informal com o representante da marca durante um almoço, veio a pergunta: "Você é gay?". Surpreso, o zagueiro respondeu que não era e o interlocutor, então, teria se mostrado decepcionado: "Ah, é uma pena. Esperávamos que você fosse".

Campbell então teria perguntado o motivo da pergunta e recebido a seguinte resposta do representante da Puma, que não teve o nome revelado: "Estávamos propensos a representar o primeiro jogador gay de nível profissional. Poderíamos vender muito mais chuteiras. Seria uma história de alcance mundial".

Leia também: Após 8 anos de parceria, Ibrahimovic pode romper com Nike

À época das revelações houve até quem colocasse a veracidade da história em dúvida, dizendo que Campbell só queria vender mais livros. Mais recentemente, Campbell disse à rádio BBC que os rumores sobre sua sexualidade só começaram porque ele não aparecia com mulheres em baladas nem levava namoradas aos jogos. Hoje ele é casado e tem um filho.

Um ex-presidente da Associação de Jogadores Profissionais (PFA, na sigla em inglês) da Inglaterra, Clarke Carlisle, já afirmou que o primeiro jogador do país a se assumir gay pode esperar uma avalanche de ofertas comerciais para explorar sua imagem. Já o especialista em relações públicas Max Clifford acredita que se um jogador "sair do armário" no país provavelmente arruinar sua carreira e destruir oportunidades lucrativas de patrocínio.

Confira na galeria imagens da carreira de Sol Campbell:

[[galeria]]

Racismo e homofobia marcaram carreira de Campbell

Com quase 20 anos atuando por clubes como Tottenham, Arsenal e pela seleção inglesa, Sol Campbell colecionou episódios de preconceito. Ainda em relação à homofobia, o zagueiro diversas vezes foi vítima de cantos provocativos vindo de torcidas rivais. Em 2005, seu irmão chegou a ser preso depois de atacar um homem que disse que o jogador era gay.

Ainda hoje, ele diz que a Inglaterra não está pronta para um jogador homossexual assumido. E destaca o caso de Thomas Hitzlsperger, que revelou sua sexualidade após parar de jogar: "Ele está aposentado e em outro país. Ele escolheu dizer isso agora, não está jogando toda semana e indo aos estádios – algumas vezes a torcida pode ser realmente perversa".

Nova camisa reserva do River Plate vaza um dia antes do lançamento e já é até vendida na internet

Sobre racismo, Campbell já citou os cânticos relacionando jogadores negros a bananas e, na mesma polêmica biografia em que contou o episódio envolvendo a Puma, ele afirmou que "teria sido capitão da Inglaterra por mais de 10 anos se fosse branco". Ele fez 73 jogos pela seleção do país, mas só foi capitão três vezes, sempre em amistosos. Segundo ele, porque a Associação de Futebol (FA) e os torcedores não querem um capitão negro.

"Na Grã-Bretanha nós fingimos que isso [casos de preconceito] não está acontecendo e que a vida está mudando aos poucos, mas a vida ainda não é um passeio no parque para as minorias étnicas, gays, mulheres…", afirmou o ex-jogador.