Senegalês recebe ameaças racistas por se recusar a usar camisa do Newcastle

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O senegalês Papiss Cissé recebeu ofensas racistas de um grupo do Facebook chamado "Newcastle – English Defence League", ou Liga de Defesa da Inglaterra, por se recusar a utilizar a nova camisa do Newcastle, que tem o patrocínio do banco de empréstimos Wonga. 

Muçulmano, Cissé não quer ser visto promovendo uma empresa que ganha dinheiro emprestando dinheiro a outras pessoas, prática condenada pela sua religião.

O Newcastle denunciou as ameaças para a polícia de Northrumbia, que está tentando identificar os responsáveis. Segundo o jornal inglês The Telegraph, a chefe da polícia Dianne Winship disse que "todas as as denúncias de abuso são levadas a sério" e que "inquéritos estão sendo conduzidos". 

É a segunda vez em três meses que Cissé passa por situação parecida. Em abril, um site extremista americano hackeou a conta de Twitter da sua namorada, uma ex-Miss Newcastle, e espalhou conteúdo racista. 

O Newcastle pretende conversar com Cissé quando o jogador retornar da seleção. O clube está com um pé atrás porque o senegalês não teve nenhum problema em utilizar a camisa antiga, com o patrocínio da Virgin Money, banco que também realiza empréstimos, embora essa não seja a sua especialidade.

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Em entrevista à emissora de televisão britânica BBC, o vice-presidente da Associação de Jogadores Profissionais da Inglaterra, Bobby Barnes, apoiou a decisão de Cissé e espera que haja concessões. Disse que quando alguém "tem tanta, tanta certeza que alguma coisa é contra seus princípios, uma solução tem que ser encontrada". 

Há um precedente para a situação de Cissé. Em 2007, Frederick Kanouté também se recusou a vestir a camisa do Sevilla com o patrocínio de uma empresa de apostas, outra prática condenada pelo islã. O clube permitiu que ele usasse um uniforme sem o logotipo da marca.